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O que é o Alcoolismo? Entenda sobre a doença

Veja nosso texto sobre feito por Central Clínicas de Reabilitação e Recuperação para ajudar você.

Sabemos que buscar informações sobre o consumo de álcool pode ser um passo difícil e, muitas vezes, carregado de angústia.

Se você chegou até aqui porque está preocupado com seus próprios hábitos ou com alguém que ama, saiba que este é um espaço de acolhimento e clareza técnica.

O alcoolismo não é uma falha de caráter ou falta de força de vontade. Trata-se de uma doença crônica, complexa e progressiva que afeta milhões de brasileiros. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que define essa condição, quais são seus impactos no organismo e como a ciência e a lei amparam aqueles que buscam a recuperação.


O que é o alcoolismo e como ele se manifesta?

Cientificamente conhecido como Transtorno por Uso de Álcool (TUA), o alcoolismo é definido pela medicina como uma dependência química de substância psicoativa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição é caracterizada pelo desejo incontrolável de beber, pela perda do controle sobre o consumo e pelo surgimento de sintomas de abstinência quando o uso é interrompido.

Diferente do bebedor social, o dependente químico de álcool desenvolve uma tolerância à substância. Isso significa que o organismo passa a exigir doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito de euforia ou relaxamento.

Os pilares da dependência

  • Compulsão: Uma necessidade forte ou um desejo incontrolável de beber.
  • Perda de controle: Incapacidade de limitar o consumo de álcool em qualquer ocasião.
  • Dependência física: Sintomas de abstinência, como náuseas, suor excessivo e tremores, após parar de beber.
  • Tolerância: A necessidade de aumentar a quantidade de álcool para sentir seus efeitos.

Os impactos do álcool no organismo e na saúde mental

O álcool é uma substância sistêmica, o que significa que ele percorre toda a corrente sanguínea, afetando quase todos os órgãos.

Como especialistas, observamos que o dano raramente é isolado; ele é uma comorbidade que abre portas para outras patologias graves.

Consequências Físicas

O uso prolongado e abusivo de álcool está diretamente ligado a:

  1. Cirrose Hepática: A inflamação crônica do fígado que pode levar à falência do órgão.
  2. Pancreatite: Uma inflamação grave e dolorosa do pâncreas.
  3. Doenças Cardiovasculares: Aumento da pressão arterial e riscos de infarto ou AVC.
  4. Câncer: Maior incidência de tumores na boca, esôfago, fígado e cólon.

Consequências Psiquiátricas e Cognitivas

No cérebro, o álcool altera a química dos neurotransmissores. É comum que o paciente apresente quadros de depressão e ansiedade induzidos pela substância. Em casos severos, pode ocorrer a Encefalopatia de Wernicke, uma síndrome neurológica grave causada pela deficiência de vitamina B1 (tiamina), comum em alcoólatras devido à má absorção de nutrientes.


Legislação e Direitos: A Internação e o Tratamento

Muitas famílias sentem-se perdidas sobre como agir legalmente. É fundamental compreender que a saúde mental e o tratamento de dependência química são protegidos pela Lei 10.216/2001 (Lei da Reforma Psiquiátrica).

Esta legislação garante que o paciente tenha acesso ao melhor tratamento disponível, visando sempre a sua reintegração social. A lei prevê três tipos de internação:

  • Voluntária: Quando o paciente consente com o tratamento.
  • Involuntária: Quando não há consentimento, mas há risco iminente à vida do paciente ou de terceiros (requer laudo médico).
  • Compulsória: Determinada pelo juiz.

Conforme o Artigo 3º da Lei 10.216, é responsabilidade do Estado e da família garantir o tratamento digno, proibindo qualquer forma de castigo ou tratamento degradante.


Oportunidade: A diferença entre o “Bebedor de Risco” e o Alcoolista

Uma lacuna comum em informações sobre saúde é a distinção clara entre quem apenas exagera e quem já atravessou a linha da dependência.

Nem todo mundo que bebe muito é alcoolista, mas todos estão em risco.

O Bebedor de Risco é aquele que consome álcool em quantidades que ultrapassam os limites de segurança (mais de 14 doses por semana para homens e 7 para mulheres), mas que ainda consegue interromper o uso sem sofrer crises físicas de abstinência.

Já o Alcoolista possui uma alteração neurobiológica. O cérebro foi “reprogramado” para funcionar apenas na presença do álcool.

Entender essa diferença é crucial: enquanto o bebedor de risco precisa de reeducação e prevenção, o alcoolista necessita de intervenção clínica e terapêutica multidisciplinar.


Como identificar os sinais de alerta?

Se você está em dúvida sobre a gravidade da situação, observe estes sinais comportamentais:

  • Beber sozinho ou esconder as bebidas em locais inusitados.
  • Apresentar irritabilidade extrema quando não há álcool disponível.
  • Negligenciar responsabilidades profissionais ou familiares para beber.
  • Beber logo pela manhã para “acalmar os nervos” ou evitar tremores.
  • Perda de memória frequente (apagões ou “blackouts”) após o uso.

O Processo de Recuperação: O que esperar?

O tratamento do alcoolismo não é um evento isolado, mas uma jornada. Ele geralmente se divide em fases fundamentais:

  1. Desintoxicação: Fase crítica, realizada sob supervisão médica para manejar os sintomas da abstinência (delirium tremens).
  2. Psicoterapia: Especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda o paciente a identificar gatilhos.
  3. Apoio Medicamentoso: Uso de fármacos que reduzem a fissura (craving) ou causam reações adversas ao álcool.
  4. Grupos de Apoio: Como os Alcoólicos Anônimos (AA), essenciais para a manutenção da sobriedade a longo prazo.

FAQ – Perguntas Frequentes

Alcoolismo tem cura definitiva?

A medicina considera o alcoolismo uma doença crônica, assim como o diabetes. Não se fala em “cura” que permita voltar a beber socialmente, mas sim em remissão ou “sobriedade contínua”. O paciente aprende a viver plenamente sem a substância.

Qual a quantidade de álcool considerada segura?

De acordo com diretrizes de saúde, não existe um nível de consumo de álcool totalmente isento de riscos. No entanto, o consumo moderado é geralmente definido como até uma dose por dia para mulheres e duas para homens, desde que não haja contraindicações médicas.

Como convencer alguém a fazer o tratamento?

A abordagem deve ser baseada na empatia e nos fatos, nunca em acusações. O ideal é conversar quando a pessoa estiver sóbria, expressando preocupação com a saúde e oferecendo apoio prático para buscar um especialista ou uma clínica.

O álcool afeta o coração?

Sim. O consumo excessivo pode causar miocardiopatia alcoólica, onde o músculo cardíaco se enfraquece e dilata, perdendo a capacidade de bombear o sangue eficientemente, além de favorecer arritmias graves.

O que é a síndrome de abstinência alcoólica?

É um conjunto de sintomas que surgem quando o dependente para de beber bruscamente. Pode variar de ansiedade leve e insônia até convulsões e o Delirium Tremens, que é uma emergência médica com risco de morte.


Conclusão e Próximos Passos

O alcoolismo é uma jornada dolorosa, mas a recuperação é uma realidade possível para todos. Entender que se trata de uma condição de saúde, amparada por leis e tratamentos científicos, é o primeiro passo para retomar as rédeas da vida.

A vergonha não deve ser um obstáculo para a saúde.

O primeiro passo para a recuperação é a informação e a aceitação. Se você ou alguém que você ama está enfrentando dificuldades com o consumo de álcool, não hesite em procurar ajuda profissional. Nossa equipe de especialistas está pronta para acolher e orientar você nesse processo de transformação. Fale conosco hoje mesmo.

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